Segunda-feira, 1 de Abril de 2013

cuidado com eles que nos vão tirar até a roupa


As coisas vão de mal a pior.
O capitalismo não é a solução, a economia mundial está nas mãos de predadores, coadjuvados por fanáticos irresponsáveis que não vislumbram mundo algum para além dos seus umbigos.
Quando um retorcido Scrooge alemão, que não por acaso é ministro das finanças, diz que os países do sul são movidos pela inveja, isso não significa de todo que os países do norte, são melhores, mais trabalhadores, mais responsáveis. Basta olharmos para as duas guerras mundiais, para sabermos que não é assim. Basta atentarmos nas sucessivas ajudas e outros tantos incumprimentos alemães, para aferirmos da inveja dos gregos, ou dos italianos e de tantos outros que viram os seus países devastados pelo poderio arrogante dos teutónicos.
O que eles entendem é que o seu lugar no mundo é outro e que todos os restantes existem apenas para os servir, custe o que custar.
É uma doença sem cura, o mal pode ser controlado, mas é recidivo e inevitavelmente ressurge, com os estragos que se conhecem.
O melhor é mesmo cortar o mal pela raiz.
Exigir deles o que eles exigem dos outros...

Domingo, 31 de Março de 2013

A Europa do Burocrata





“Onde fica a Europa?
Mas qual Europa? Pode especificar?
Humm... a Europa…
Mas há muitas Europas.   A do Euro, a do Sul, a do Norte, enfim, a que Europa se refere?
Já sei! Se calhar a esse milagre genético do multicefalismo…
Não é a essa Europa… mas olhe que é a melhor pista para chegarmos ao que pretende.
Diga-me a sua origem por favor.
Bissau? Mas onde é que isso fica?
África??
Bom isso é um problema, não é muçulmano pois não?
Ahhh, é muçulmano…
Então e a sua pele, que cor tem?
Claro que a pergunta faz sentido.
Sou um burocrata, meu caro senhor, sou cego!
Não o quero desapontar, mas parece-me bem que a Europa que pretende
não passa de uma quimera.
Tem mesmo a certeza?
Sim, claro que estou a pôr em causa o que me está a dizer. Não existe nenhuma Europa como a que descreve. Ou é um mistificador ou foi enganado por alguém que lhe quis vender um produto de contrafacção.
Bom, está certo, sinto que é um homem de bem e até consigo intuir que chegou a um ponto sem retorno. Não quero que fique de mãos a abanar a contemplar um sonho, vou ajudá-lo.
Sabe o meu amigo que eu possuo uma lancha?
É verdade, uma bela lancha com motor e tudo. Quem a utiliza é um parente meu, afastado, já que eu sendo cego não a posso conduzir, o que valha a verdade até me dá um certo jeito. Eh. Eh.
Bom, eu posso falar com esse meu parente e mediante uma módica quantia, ele transportá-lo-á até um local chamado Gibraltar, que fica na Europa pois claro. Não é bem o que pretende, mas o óptimo é inimigo do bom, como muito bem sabe…
… Dizes-me que a lancha foi ao fundo. Safou-se alguém?
Não? Melhor assim, submerso ninguém fala…
O que vamos fazer? Compramos outra lancha, claro.”
Acordei! Acordei! Acordei deste pesadelo.
Estremunhado, recamado de suor, entorpecido ainda do sonho mau…
Mas qual sonho? Qual pesadelo?
A verdade é que todos os anos morrem pessoas afogadas no Mediterrâneo, apenas porque julgam que deste lado, à sua espera, numa esquina qualquer das cidades grandes, se encontra o Eldorado.
Aquele Eldorado do Velho Continente, tolerante e aberto, o continente dos direitos, que reparte equitativamente os frutos do seu pomar da abundância.
Pois é, todos os anos morrem dezenas, centenas, milhares, pouco importa o número. Morrem pessoas, morrem sonhos, e também os sonhos daqueles que os viram partir, e sonhos nossos, já que nunca os veremos chegar, com a sua força, a sua vontade de vencer, com o contributo imenso e enriquecedor da sua diferença.
Estamos velhos nesta Europa, cansados de andar pelo mundo, régua e esquadro na mão a traçar os mapas da nossa conveniência.
Agora que retornamos a casa, ou a isso fomos forçados, fechamo-nos na nossa fortaleza de cristal, temerosos do mundo e da mudança, convencidos da nossa aparente riqueza e reinventamos um novo significado para a palavra autismo.
Interrogo-me.
Essa ideia fantástica de uma Europa sem fronteiras, unida por opção das gentes, na sua diversidade cultural, que é o nosso contributo, o nosso maior ganho,  terá razão de ser? Será consistente?
Ou é apenas uma versão revista da quimera do meu sonho?
Não iremos nós, os crédulos, embarcar numa lancha com destino incerto?
Os burocratas são cegos sim senhor, não nos querem ver, não nos podem ver, porque o rosto é a expressão da alma, e essa verdade é-lhes incómoda.
Por isso querem a Europa dos cidadãos, desse clube privado com cartão de acesso e vários níveis de integração; o cidadão platina, o cidadão “gold”, o cidadão comum que no seu desespero de viver grita e esbraceja e agarra-se a qualquer a qualquer solução. Porque a crise está aí há que tomar medidas, portanto toma lá apoios.
Eu quero a Europa das gentes, das pessoas que andam na rua e transpiram e têm cólicas ao fim do mês e têm os olhos abertos de espanto.
Espanto sim.
Porque o burocrata, além de cego é translúcido, só lhe adivinhamos os contornos, sabemos que está, mas não o identificamos, é o burocrata da crise de 2008 e pronto.
Como é translúcido às vezes cria uns émulos, que se misturam com as gentes e tentam, com ar liberal, vender ideias que de tão gastas serão quanto muito avós das ideias. Muitas pessoas confundem-se e compram-lhes o patuá, a crédito, sem lerem as palavras minúsculas do contrato.
É grande o logro em que caímos ao confiar na lengalenga dos burocratas.
Aqui na Europa, mal ou bem, ao longo dos milénios foi-se constituindo uma manta de culturas, que embora se expressem de distintas formas, ou melhor dizendo, se resolvam através de distintas fórmulas, têm uma matriz comum, Greco-latina, que se distancia de atavismos predeterminantes, como a matriz Semita, e confere ao Homem a liberdade de encaminhar o seu próprio destino, independentemente da vontade dos Deuses. A nossa superação está sempre para além do horizonte, por isso, as nossas metas vão aumentando, na justa medida do caminho que percorremos.
Isso é bom, levou-nos ao resto do mundo e, mesmo não querendo trazê-lo de volta, fomos forçados a tal porque saímos, porque fomos confrontados com realidades distintas, muitas delas insubmissas, que nos levaram a um relacionamento muito distante do Eurocentrismo que sempre pretendemos impor.
Mesmo quando presumivelmente “os outros” se aculturavam, tal não passava de ficção, pois a sua resistência, passiva, face ao poderio “tecnológico”, leia-se bélico, dos europeus, levava-os a moldar o seu modus vivendi ao que seria entendido como europeu, sem no entanto abdicarem das suas raízes.
Iniciou-se assim um processo que designo como a “síndrome do desalinho”.
Quando se inicia uma construção em altura, em determinado ponto do processo, há que escorar vigas que sustentarão toda a construção. Vamos então colocando rebites ou parafusos, o que quer que seja que as segure e nivele, mas se o segundo rebite estiver mal alinhado com o primeiro e os restantes forem sendo alinhados com o precedente e com a mesma margem de erro…
Inevitavelmente a construção colapsa e desaba. Podemos optar por mantê-la e impedir a sua queda através de múltiplos recursos, mais ou menos engenhosos, mas o erro persiste e o fim, será inevitavelmente o mesmo. A ruína.
Esse postulado é válido também nas relações que se foram estabelecendo ao longo dos séculos entre o “Velho Continente” e o resto do mundo, pequenos erros quase indecifráveis que se foram acumulando até ao ponto de ruptura. Mas mesmo depois do óbvio, em lugar de um recomeço viável, insistiu-se na manutenção de um status quo manifestamente inviável, de tal modo que hoje em dia se levantam as vozes de um lado e do outro do mediterrâneo sem que o entendimento se aviste.
O mesmo com as relações de poder dentro da própria Europa, ninguém sabe como esse escol (não foram eleitos) de burocratas cegos e apátridas, de rosto velado, inidentificáveis, chegaram ao poder e deslocaram o homem do centro de tudo, para uma posição totalmente absurda no meio de uma engrenagem trituradora, transmutando a sua identidade para um vazio absoluto reflectido num número qualquer de qualquer documento que só ao burocrata é útil.
Não podemos como Tântalo, sujeitar-nos ao suplício.
A resposta de tão óbvia, fica ao critério de cada um.


Quinta-feira, 28 de Março de 2013

O Baile


Chegou como um monge, sem séquito, com um ar quase tímido e depois disse que viveu fora um ano, para estudar, para se dedicar à família, para dar espaço e tempo aos que ficaram, porque não queria que a sua imagem se interpusesse, que o seu carisma interferisse, que a sua razão tolhesse os passos dos que ficaram, disse da sua frugalidade, da conta única no banco do Estado, dos empréstimos pagos e por pagar, indignou-se por dele dizerem, injustamente o que mafoma não disse do toucinho.
Vinha para uma entrevista, mas cedo percebeu que lucraria mais se essa entrevista se transformasse num debate. Foi o que fez, os seus interlocutores morderam o isco. A partir daí ficou senhor do palco, fez o que quis; transformou as críticas em cabalas, apresentou os seus números perante o desnorte dos funcionários incompetentes de um governo incompetente, desmascarou de uma penada o rasteirismo do presidente múmia.
Falou de educação e contrapôs os veementes conselhos à emigração dos jovens, dados pelo seu sucessor. Falou de austeridade e de investimento, falou de mistificações, de gastos, de créditos e réditos... falou do que quis, como e quando quis perante os atarantados entrevistadores que quiseram debater com ele.
Fez numa hora e picos, seguramente,  mais oposição que o seu sucessor na liderança do partido em dois anos.
Saiu como um poor lonesome cowboy a esfumar-se na noite e porque era dia mundial do teatro, foi para casa ver o "Baile" e rir-se, rir-se muito destes otários todos.
Et voilá.
Ahhh! ainda teve tempo para explicar que o curso é de filosofia política, o mesmo que ciência política, explicou, como se nós fossemos muito directores de informação da RTP...

Quarta-feira, 27 de Março de 2013

A Ti Te Gusta la Plata o La Playa



Eu gosto muito do dinheiro, mas não é ele que me faz falta.
Faltam-me as coisas que ele pode pagar.
Comida na mesa, roupa no corpo, um tecto…
Não incomoda trabalhar fazendo aquilo de que não gosto, se por via disso  conseguir ter  o que  preciso para viver, e já agora mais umas coisitas que me façam feliz, que dêem algum sentido à vida.
Até acho que tudo o que é verdadeiramente importante não tem preço.
Vejo mesmo, com a minha percepção de raios X, o ridículo que se esconde por detrás de muitas máscaras de sucesso dito económico.
Mas que digo eu?
Ridículo?!!!
Antes trágico, tragicomédia encenada no vazio de muitas vidas aparentemente felizes.
No princípio era a troca: quatro gansos por um porco.
Pouco prático; o melhor é atribuir valor às coisas, acabar com as trocas e atribuir valor simbólico às conchas, são tão bonitas as conchas, ou ao sal, ou ao ouro…
Porque não o Ouro.
Esperteza!
Houve logo quem se apropriasse das minas, mas tão ocupados ficaram a pesar o ouro que extraíam, que tiveram que contratar alguém para a picareta…
Pagavam em sal ou em bronze, ou em géneros, claro.
Veio a moeda, o papel-moeda e, agora, que os tempos são outros o plástico!!!!
O dinheiro virtual.
Que bom, que felicidade.
A bem dizer, não há dinheiro, atribui-se um valor ao cidadão, certificado pelas companhias creditárias.
Está o baile armado, ou melhor, armadilhado. Se antes se podia ir ao bolso e sacar de um molho de notas para afiançar da importância, agora vai-se ao bolso e saca-se de um cartão. A cor determina o estatuto económico do cidadão em causa, platina, ouro e por aí abaixo, o número de cartões também não é despiciente.
Há um pequeno problema; os cartões são atribuídos pelos bancos, quem não tem conta, porque não quer, ou porque os ditos bancos não deixam, é excluído do sistema.
Na Índia eram chamados de intocáveis, no Ocidente são mais conhecidos por sem abrigo. Estes estorvos a uma sociedade de sucesso deixaram de existir, sem se ter de gastar um tostão na sua eliminação.
Como diria um comentador conhecido:
Então, os sem abrigo existem?
Não, não existem.
Mas existem sem abrigo?
Sim existem.
Os que vivem fora do sistema, assumem uma função específica, ao mesmo tempo de aviso (cuidado, não estás livre disto) e de consolo. (afinal de contas há outros pior do que eu)
Isto é bom, porque centra tudo em torno do quanto se tem ou ganha, e do que se pode adquirir com isso.
Seria lógico que a mera subsistência estivesse assegurada para todos, independentemente do lugar que ocupam na “escala social”, não é isso que acontece, mesmo muitos dos que têm emprego, não conseguem atingir o patamar de uma existência digna. Já outros independentemente do que produzem auferem vencimentos muito acima do expectável. Tanto maiores são essas vencimentos quanto aqueles que os ganham, trabalham em áreas meramente especulativas,  precisamente aquelas que sustentam o sistema.
Na realidade, o que a maioria das pessoas pretende é a possibilidade de realização, de cumprimento dos  sonhos, dos seus objectivos. Mas, vá-se lá saber porquê, esse desiderato em vez de depender dos próprios, depende da capacidade atribuída para ser funcional, para manter o actual paradigma que faz do intermediário o cimento da estrutura social.
Altere-se o paradigma, alterem-se as relações de poder existentes, e os desníveis  desvanecem-se. O salário dos “boys” não espanta, é directamente proporcional à sua utilidade para que tudo se mantenha na mesma.
São os escravos em comandita dos senhores sem rosto. Abdicam da dignidade por muitos pratos de lentilhas.
Embora só possam comer um de cada vez, senão cai mal. 

O Regresso


Sócrates regressa hoje, com o frasco de cicuta no bolso.
Agitam-se as almas puras, o malandro voltou, depois do mal que fez, depois de ter aniquilado os fundamentos do Estado, de ter levado o país à falência, ei-lo de volta, desavergonhado, cabotino, insensível às suas culpas.
No fundo ele apenas regressou ao convívio dos que lhe são próximos. Dizem que terá uma agenda oculta... não creio. O que o trouxe foi a saudade.
Saudade de Cavaco, saudade de Passos, de Relvas, o seu companheiro de percurso académico, saudades da justiça, saudades do imenso rebanho que de certeza o vai perdoar, saudades das pequenas coisas que fazem deste país um jardim à beira mar plantado.
Sócrates não é melhor nem pior do que os outros, não é mais ou menos corrupto, não mente nem desmente numa dimensão diferente dos outros. Sócrates é o símbolo de todos os que têm detido o poder.
Sócrates comenta o mesmo que os outros, com as mesmas palavras, a mesma ausência de ideias e o mesmo projecto pessoal de enriquecimento, custe o que custar.
Se os outros se indignam é porque sendo o seu conteúdo idêntico, ele tem outro estilo, outro panache, outro encanto, mais verve, roubar-lhes-á seguramente os tachos que julgavam definitivamente adquiridos.
No fundo o regresso do demagogo até nem será mau de todo. Zangam-se as comadres...
Até porque sem Sócrates isto não era a mesma coisa...

Sábado, 2 de Março de 2013

Que se lixe a Troika


Hoje dia dois de Março é importante que todos saiamos à rua.
Que manifestemos a nossa revolta, o nosso descontentamento, que deixemos claro que não nos vergamos nem ao medo, nem à inevitabilidade imposta, que sabemos o que queremos e que, acima de tudo sabemos bem o que não queremos.
Não queremos iniquidade, não queremos desemprego, não queremos o fim do Estado Social, não queremos perder os nossos direitos, para salvar um banca corrupta, para sustentar o capital financeiro, que nos impõe um poder político vergado aos seus interesses.
queremos o NOSSO destino nas NOSSAS mãos

Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Fuck The Sistem

(imagem tirada daqui:http://www.facebook.com/pages/HUMOR-INDIGNADO-99/138334929602845)

Não há político honesto, não há político desonesto.
Há uma comandita que controla o sistema.
Os partidos do "arco da governabilidade" vão buscar o lixo humano para lugares de destaque. Apropriaram-se do poder, gerem uma alternância de ficção e partilham o "pote" entre compadres.
Quem não faz fretes não ascende. quem faz fretes espera sempre receber algo em troca.
As "jotas" servem para fazer a triagem, desde os esquemas das associações de estudantes até aos cargos de administração em grupos económicos, passando pelo tirocínio de uma Secretaria de Estado, ou por um lugar numa qualquer Comissão Parlamentar com o prestimoso voto, ou por uma Ong, ou por uma assessoria qualquer...
Sobe-se de cu aos ventos, vendendo a mãe, o pai e muitas vezes, a mulher em arrojados fins de semana festivos, sob a bandeira dos vícios privados, públicas virtudes.
O esterco cheira mal, mas para estes compadres da desgraça é um perfume, porque no esterco vivem e do esterco que criam se alimentam.
Estão todos no mesmo barco e se uns são políticos, outros já estão nos bancos e outros ainda em postos senatoriais de secretas sociedades.
São todos a mesma merda! A mesma escumalha! São a degenerescência da degenerescência, da degenerescência.
Só há uma maneira de acabar com isto: Revolução!
Uma imensa varridela e corte radical de qualquer escroto familiar, para que não se reproduzam.
Nada disto tem a ver com políticos, antes com criminosos, com hereditariedade, com rentismo, com falta de vergonha.

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Hoje Há Greve Geral



Passos Coelho conseguiu com esta bendita asneira de não conceder tolerância de ponto à Função Pública, o que as centrais sindicais, a que é e a que jamais foi, nunca na sua história lograram atingir.
A mais bem sucedida greve geral na história da segunda República.
O país parou e a festa está nas ruas. várias manifestações com milhares de pessoas estão a acontecer em todo o país, e os agentes da autoridade (facto inédito) preocupam-se apenas com a segurança dos cidadãos e deixaram a repressão de lado.
Aguardo com ansiedade os números de adesão à greve, mas estou convicto que andarão próximos dos 100%.
Tanto quanto sei, apenas os serviços mínimos estão garantidos e mesmo o patronato num gesto inédito, aderiu à paralisação.
De facto há vocações que se manifestam tardiamente, a de Passos como sindicalista é uma delas... de qualquer das formas respeito a sua coragem. não é fácil para um Primeiro-Ministro assumir assim a luta dos trabalhadores.

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Deixem-se de Falsos Pruridos


Caíram que nem uma bomba as declarações proferidas pelo Presidente do Parlamento Europeu, acerca do convite do governo Português ao investimento Angolano no nosso território.
Interferência na nossa soberania, ingerência despropositada, foram as críticas mais suaves que se ouviram, se calhar com alguma razão, mais por via indireta, como consequência das patacoadas, essas sim abusivas, da chanceler alemã, do que pela própria essência do discurso de Martin Schulz .
Em boa verdade, o cerne da questão consiste em saber até que ponto, estados democráticos, como Portugal ou a Alemanha, ou qualquer outro, ao negociarem com a China, ou com Angola ou com qualquer outra ditadura em que os mais básicos direitos do homem são ignorados, em que a corrupção é um instrumento banal de poder, com mortes, prisões, inimagináveis desigualdades sociais... não serão cúmplices de todas essas iniquidades.
Há que reflectir sobre se o dinheiro tudo justifica, ou se pelo contrário a economia deve estar ao serviço do homem.
Foi isso que Martin Schulz questionou, qual o caminho da Europa? Se pretendemos defender o Estado Social com os inerentes direitos de cidadania e para isso é necessária coragem e solidariedade entre estados, ou se pelo contrário admitimos sem reagir o menu neo-liberal que nos é imposto e abdicamos de tudo aquilo que construímos no pós-guerra.
Porque os exemplos abundam, e as ingerências de facto, como na Líbia, ou no Líbano, ou o doloroso lavar de mãos do martírio Palestiniano, são a mesma face dos interesses económicos da ditadura angolana, ou da chinesa ou de qualquer outra.
São no fundo a defesa dos mercados e a destruição da soberania dos estados e são o pólo oposto do que defende Martin Schulz

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

O Burro do Inglês



Quem ilustrou foi Passos Coelho o insigne primeiro-ministro desta ficção que alguns insistem em apelidar de governo.
Confesso que houve uma altura em que cheguei a pensar que eles, (o governo) eram mal intencionados, que tinham como objectivo último dar cabo do país, integrar-nos numa pã-germania em que cumpríssemos o papel de contentor, consumindo os restos do lixo neo-liberal… assim a modos que o extremo esfarrapado de uma bandeira. Mas não! Eles (o governo) são mesmo burros!
É trágico mas é verdade. Convém, para que sigam melhor o meu raciocínio, lembrar-vos que estes cavalheiros se formaram no consulado de Cavaco, o tal do betão e do bom aluno, o homem do sucesso medido pelos bens materiais.
Para eles, sensibilidade social, política, ou qualquer outra, a bem dizer, são entraves ao grande desígnio da liberdade dos mercados, da auto-regulação, não lhes importam as desigualdades sociais, pois elas dissolvem-se com o desaparecimento dos mais fracos. São uns colonizados que aspiram a feitorias e a mando quando o patrão está ausente, são de facto e em suma umas bestas.
Quando o sr. afirma que é necessário trabalhar, está a dizer aos pescadores para pescarem, aos agricultores para cultivarem, aos pequenos e médios empresários para produzirem, só que já não há pesca, nem agricultura, nem tão pouco pequenas e médias empresas, o que há é um imenso e estéril vazio, uma cópia fiel das suas cabeças, (do governo) porque o pouco que havia destruíram e destruíram a esperança também, porque puseram fim ao Serviço Nacional de Saúde, porque transformaram as escolas em espaços onde os alunos desmaiam de fome, porque abdicaram de um país soberano para se contentarem com um quintal.
Fazem-me lembrar com a sua insanidade, com a sua insistência autofágica, a histórias do burro do inglês, que de privação em privação acabou por morrer, enquanto o dono se lamentava de tão triste desfecho logo quando a coisa começava a resultar e o animal se ia habituando ao seu estado de carência.
Com uma dívida pública de 110%, a maior taxa de desigualdade social, mais de 13% de desemprego, os juros da dívida a dispararem, os investidores estrangeiros a fazerem as malas, estamos mesmo como o burro do inglês…
Quando a cabeça não tem juízo…
 (imagem montada por David Varanda)