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Mensagens

A mostrar mensagens de março, 2011

Boa Notícia

Os prémios valem o que valem... O maior prémio do Carlos Júlio é ser quem é, um homem frontal, sem papas na língua e sem cartões clubísticos, quem vai, vai; quem está, está. Sem tretas. Fico contente. "A Cinco Tons"

Na Ler com Prazer

Amanhã A não perder

Que posso eu dizer? Luis grande Luis

Na sexta-feira, no Sobreiro, às 20:30, quem quiser arriscar, pode vir viajar comigo pelos sabores de uns quantos condimentos e procedimentos culinários de aqui e de ali e, já sem riscos, com o Nuno do Ó, pelos sons e cores do dendê, talvez da canela e pimenta do reino.  O Nuno vai cantar, bem como é seu hábito, e eu vou tentar cozinhar. O prato central vai ser moqueca mista, só podia ser mista em sintonia com a miscigenação da noite... sim, não ficamos pelo Brasil, vamos vaguear por aí! Das entradas, as tâmaras com bacon lembrar-nos-ão que os ventos de mudança que sopram no Magreb percorrem desde sempre a rota do tempo, ziguezagueando entre as duas margens do mediterrâneo. “Revueltos” são os tempos que vivemos e também “los huevos con  setas” que, apesar de fungos em castelhano, soam nesta nossa pátria-língua, ao veloz galopar do  Jinete  de Rafael Alberti:  “Galopa, caballo cuatralbo  Jinete del pueblo, que la tierra es tuya    A galopar, a galopar, hasta enterrarnos en el mar” O qu

Catrapuz Lá Caiu o Governo

Ao que parece caiu o governo. Catrapuz! Elaboram-se cenários, afiam-se os votos, dá-se brilho às urnas. As faixas que vão decorar a taça já estão encomendadas, serão cor de laranja, mas, por via das dúvidas, mandaram-se fazer também umas cor-de-rosa, não vá o diabo tecê-las. Está tudo pronto, nas diferentes sedes engomam-se as bandeiras, contam-se os emblemas e as esferográficas, dobram-se as camisetas de manga curta, retocam-se programas, ensaiam-se apertos de mão, treinam-se sorrisos ao espelho. Há um clamor geral a perpassar da rua para as sacristias: “agora é que é! Chegou a hora da luta! Vamos mudar esta merda! Vamos todos votar! Vamos reduzir a abstenção a uma expressão ínfima!” O nosso futuro - pensa-se - está nas nossas mãos, impresso num rectângulo de papel que se enfia numa ranhura e pronto… Eu estou de todo renitente, mesmo espantado, até porque, sei que a esquerda tem tantas hipótese de chegar ao poder através do voto, quanto um cidadão anónimo levar com uma cagadela de p

Dia do Pai

Hoje é dia do pai É um dia bom, está Sol e os pais são Sol. As mães são lua, afectos doces, velados, mimos escondidos, carícias, regaços gentis, ternura. O pai é Sol; tudo ali, expresso, às claras, é o amor que queima, próximo e distante, exposto. O pai serve para isso mesmo, para ser servido inteiro. Mastiga-se, come-se, digere-se e depois expele-se, decantado dos valores que não servem aos filhos, que já não servem aos filhos. Mas é nessa digestão que nós crescemos, que nos tornamos gente. Assim à luz dos olhos dos outros, expostos, porque temos ou tivemos pai. Eu sou pai, estou aqui inteiro, pedaço a pedaço. Sangue do meu sangue segundo dizem e eu até acredito…

Estes romanos são loucos

Estou assim a modos que estupefacto. Porquê? Perguntar-me-ão. Eu explico. No passado dia 10 de Março foi rejeitada uma Moção de Censura ao governo pelo nosso estimável Parlamento. Disseram os senhores deputados com ar sério e compungido, que, apesar do governo governar mal, que apesar da maioria dos portugueses estarem a suportar privações abrasadoras, de não bater a bota com a perdigota nos dados fornecidos pelos excelsos ministros… se a dita Moção fosse aprovada seria o caos, o fim do mundo, o mais aterrador dos pântanos, porque os nossos credores, os senhores mercados e os países do centro da Europa, aqueles das duas guerras mundiais, deixariam cair a espada de Dâmocles no macio cocuruto da nossa soberania. Quem aprovasse tal moção seria não só incauto, mas pai de toda a irresponsabilidade, co-responsável, por tudo de mau que nos viesse a acontecer, co-autor do Inferno na terra. Há que aguentar! Gritaram estóicos, há que passar uma imagem de coesão, argumentaram sibilinos. Quando

Será sempre

Foi Ontem

É Hoje

O Sr Presidente

É preciso ter uma certa lata. Parece que o Presidente da República que enquanto primeiro ministro sempre se manifestou contra as forças de bloqueio, que sempre teve uma atitude idêntica à de Sócrates, no que toca ás críticas feitas com toda a legitimidade, à sua governação, que tanto se incomodou durante a sua campanha quando se punham em causa os prestamistas que nos emprestam dinheiro, agora mudou de tom e vem apoiar as aspirações daqueles cujo futuro ajudou a enterrar. Quem atentar neste discurso de tomada de posse , fica com sérias dúvidas se este senhor ainda aspira a ser premier ou é apenas um oportunista sem escrúpulos... 

As Ruínas do Castelo

Os desígnios insondáveis da vida trouxeram-me até Évora. Quando surgiu a oportunidade de vir não hesitei, sempre vi esta cidade como um espaço de cultura, um bastião de tradição e de criatividade, uma zona de confluência de saberes e de veres, consequência da Universidade e da condição de cidade património mundial. Uma jóia a rematar a obra de arte que é o Alentejo. Évora é para mim e para muitos que como eu a amam, uma cidade sem tempo, cerzida durante milénios pelas mãos atentas de diversas culturas, pelo olhar melancólico das gentes da planície. Os sons e os sabores e os saberes populares entrelaçados na erudição e no estudo de homens como Resende e como frei Manuel do Cenáculo e tantos outros e outras. É a capital do Pelicano, esse rei que o foi de facto e que a partir daqui deu novos mundos ao mundo, que pariu o Renascimento Português, o renascimento do nónio, das cartas de marear, da medicina, da matemática, do aproveitamento das coisas do mundo, da síntese. Vim de braços abert

Sporting a vítima do neo-liberalismo recorre ao FMI

Hoje vou falar do meu Sporting. Para dizer a verdade, se bem que goste de futebol e de assistir a espectáculos de cariz desportivo, o que me move nestas andanças catárticas é a sensação de pertencer a uma tribo. Sou verde, o meu pai é verde, já o meu avô era verde e faço tudo para que a minha prole seja verde. Respeito sem interferências as opções estéticas, como respeitarei, quando chegar a hora, as afectivas, as políticas, as sexuais dos meus filhos e filhas… não suporto é que eles se abriguem à sombra de outra bandeira desportiva, que não a do Sporting. Isso é que não! Isso, caso venha a acontecer, será fonte de extremo desencanto e levar-me-á sem dúvida a interrogar-me onde terei falhado… Para mim assistir a um jogo em que os gladiadores da minha tribo defrontam os de uma tribo rival, é como ritualizar as Termópilas, fazer por breves minutos parte da história comum de dois grupos mais do que antagónicos, absolutamente inconciliáveis, sem síntese possível. Num estádio, todos os co

O Funeral

H oje vou a um funeral; um homem que mal conheci suicidou-se. Vivia só, entregue ao alcoolismo, sem emprego, sem perspectivas de vida. Não era velho, tinha quarenta e oito anos e, apesar de viver só, tinha família, filhos, irmão, mãe, parentes… talvez até tivesse amigos, quem sabe? O que o levou a pôr fim à vida? Talvez a própria vida… ou que fez dela, ou ainda o que lhe não permitiram fazer dela. Não tinha dinheiro para pagar a renda de casa, uma ordem de despejo estava prestes a ser executada e ele não resistiu. Corda ao pescoço e pronto. Tudo acabou para si. Tão previsível, tão enquadrável, tão desresponsabilizante para todos os que ficam… Será que apenas os mais fortes, os mais integrados, os menos passivos, têm espaço nesta sociedade? Não será esta vida encerrada, feita de contínuas desistências, um grito de revolta? Uma chamada de atenção? Uma solitária manifestação de desengano? Nasceu, teve mãe e pai e amor e filhos. Será que o álcool foi apenas opção ou fraqueza? A incapacid

Geração à Rasca

Publico sem palavras, são redundantes...