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Mensagens

Champô

Portugal é na União Europeia o segundo país com maiores desigualdades sociais. Sem um tecido produtivo consistente, temos vivido à custa dos apoios que chegam da União e que em vez de serem utilizados para criar riqueza e gerar desenvolvimento, foram e são desbaratados em obras de fachada, pouco ou nada úteis na sua maioria, ou então desviados para as contas daqueles que lhes têm acesso. Uma classe governante inapta, tentou fazer-nos crer que esse rio de dinheiro seria inesgotável e pior do que isso, que os generosos ofertantes não queriam contrapartidas, que o seu objectivo seria apenas o nosso bem-estar. Entretanto acabamos com a nossa frota pesqueira, demos cabo da agricultura, arrasamos com a incipiente indústria que ainda tínhamos. Para dourar a pílula inventaram-se umas parcerias com grandes empresas multinacionais, que por cá instalaram algumas fábricas entretanto fechadas e fizemos a grande aposta no turismo, como se fosse possível transformado o país numa espécie de jardim zo...

Quem sou eu?

Quem sou eu? O que faço aqui? Eu sou muitos. Sou todos aqueles que anseiam viver num espaço de liberdade, aberto, corajoso, capaz de se pôr em causa, de se despir de preconceitos e crescer humanamente com as diferenças que lhe dão forma e força. Sou os que sendo velhos, sobrevivem de velhas reformas dentro dos muros de uma cidade velha, numa casa incómoda que serve apenas para tapar o incómodo abandono a que foram votados. Sou os que começam longe a sua vida activa por não terem na sua própria terra condições para se fixarem. Sou milhares, milhões de vozes em uníssono a gritarem basta! Sou os sem-abrigo, os marginalizados que vivem à margem da sociedade, que percorrem toda a sua existência como sombras. Sou as minorias sem outra expressão que não a revolta, ou o sussurro do medo. Sou os imigrantes clandestinos, enclausurados na sua busca da liberdade. Sou as mulheres abusadas, as crianças violentadas. Sou todos os que não querendo são. Porque tem de ser assim. O que faço aqui? Faço o c...

A Choldra

Peço desculpa pela parca qualidade do vídeo mas fui eu que o editei e essa não é de todo a minha praia. pretendi com esta aventura demonstrar apenas como é que as coisas funcionam por cá, mostrando a volubilidade e a limitada honestidade intelectual daqueles que inadvertidamente foram eleitos em Outubro de 2009 para gerirem o Concelho de Évora. O que se ouve neste vídeo, entremeado de imagens da colecção do Centro de Artes Tradicionais e de algumas actividades ali desenvolvidas, com algumas peças da colecção de design industrial do sec XX, propriedade do Prof. Paulo Parra, é o excerto de uma entrevista dada pela Vereadora da Cultura, Cláudia de Sousa Pereira, à rádio Diana pouco depois de ter sido lançada a petição em prol da manutenção do CAT enquanto tal.  Nessa época ainda não tinha começado a reacção popular que se veio a manifestar posteriormente, sob as mais diversas formas e com o apoio de várias pessoas de distintos quadrantes políticos, de várias entidades insuspeitas tais...

O Sidónio de Boliqueime

O nosso abnegado líder que enquanto primeiro-ministro malbaratou os fundos comunitários de apoio, instituiu e distribuiu sinecuras pelos seus homens de mão, nunca concretizou as suas agora propaladas "preocupações sociais," vem agora, (bom discípulo de Frei Tomás) afirmar-se como o salvador da pátria. O presidente que viveu o primeiro mandato a desviar-se das gotas da chuva, que sempre apoiou as medidas restritivas deste governo, vem  feito pavão, de peito inchado e a arrastar a asa, afirmar que é ele e não outro o graal da nossa redenção. Fala dos mais desfavorecidos - ele que até poupa nos outdoors e que não vai receber a prendinha de natal costumeira para dar exemplo de poupança - como se fosse o seu paladino. Fala de coragem  ele que se considerava e a todos nós consigo, óptimo aluno dos ensinamentos ultra-liberais que tomaram de assalto a Europa e nos mergulharam nesta crise de contornos medievais. O homem que teve Sousa Lara no ...

Portugal dos pequenitos

Uma democracia sem transparência é um Portugal dos pequenitos, uma mostra em dimensão reduzida de uma sociedade em que a cidadania é regra e o compadrio excepção. Uma democracia sem transparência é um número malabar, uma artimanha autocrática, em que tudo gira em torno não se sabe do quê. Em democracia o voto é apenas um momento, uma afirmação de vontade, um mandato; quem o recebe é responsável perante todos, em cada situação, por cumprir as suas promessas, tem a obrigação de manter visíveis os actos do seu consulado, tem o dever de ouvir os que o elegeram, de aceitar os limites do seu mandato. Não se lhe pode exigir a submissão sem termos à “vox populi”, mas é por isso que a transparência é inquestionável, para que todos saibam como e porquê certas decisões são tomadas em detrimento de outras, para que se possa responsabilizar ou não quem as assume. É fácil para quem dispõe de meios, candidatar-se a um cargo público. Cria uma equipa, engendra uma estratégia apelativa, debita as prome...

E o mar continua à espera...

Este é um país à beira-mar plantado. Sempre que nos viramos para o continente minguamos, sempre que nos viramos para o mar crescemos. Ao querermos cumprir um sonho de novos ricos esquecemos que existe mundo para lá da Europa. Mordemos o engodo e ao fazê-lo, ao embarcar nesta aventura insensata de uma Europa sem fronteiras, feita de abundância e reciprocidade democrática, alienamos a nossa matriz Atlântica. Convencemo-nos que ao abraçar o desígnio europeu, deixaríamos de ser um pequeno país, juntaríamos a nossa voz à voz de um continente que se expressasse em uníssono. Puro engano, integramo-nos numa cacofonia indecifrável em que ninguém se entende e que entendesse, de pouco adiantaria  se Berlim quisesse gritar mais alto. Entretanto o mar paciente continua à espera...

Um mau suspense, uma má fita

Existem inúmeras maneiras de criar suspense, uma delas consiste em revelar logo à partida a identidade dos maus da fita, quais os seus objectivos, quem serão as suas vítimas. A partir daí tudo se centra na acção, no como e no quando, no fio da meada. Quando bem orquestrada a narrativa, o resultado é sublime. Várias obras marcaram de forma indelével o imaginário colectivo, a tal ponto, que outros menos dotados caíram na tentação de lhes criar sequelas e como todos sabemos, as sequelas por regra, nunca atingem as alturas da obra mãe. Dou-vos um exemplo: A queda do muro de Berlim. Essa fantástica viagem através da luta de duas potências antagónicas, desenvolvida através de uma guerra fria, com vários pólos de acção a desenvolverem-se em espaços distintos, de múltiplas formas, mas sempre a apelarem à atenção do espectador para o palco principal; sublime. Depois, a queda de uma delas, com as suas defesas a ruírem num estonteante efeito dominó e a abdicação final com a imagem simbólica de ...