Que é lá isso do tempo?
Não existe. É uma tosca apropriação do que se não esgota no ser.
Sou e ponto.
Nem consigo antever o fim.
O deixar de ser.
Amanhã não existe, tampouco ontem; a minha memória é agora.
Não programo a vida, projecto-me numa expectativa.
O passado? O supérfluo que a memória enjeita.
O futuro? O remanescente que a insegurança exige.
Mas mesmo que assim não fosse, que guardaríamos nós do presente que pudesse dar sentido ao futuro?
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ResponderEliminarPassei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
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Mário de Sá-Carneiro in "Dispersão"
Paris , Maio 1913